PROA 6 ATIVIDADE 4
Grupo: Alcione, Eoil, Magda, Roselene, Simone e Sônia
PESQUISA - AÇÃO
a) Definição
Pesquisa-ação tem suas origens nos trabalhos de Kurt Lewin em 1946, num contexto de pós guerra, dentro de uma abordagem de uma pesquisa experimental, de campo. O objetivo de suas pesquisas iniciais era a mudança de hábitos alimentares da população norte-americana e de mudança de atitudes em relação a minoria estrangeira. Ao mesmo tempo em que realizava suas pesquisas, também estudava sobre a dinâmica e funcionamento dos grupos. A partir da década de 80 com os fundamentos da teoria crítica de Habermas, há uma mudança estrutural na pesquisa-ação, onde esta assume como finalidade a melhoria da prática educativa docente. Nesse sentido os trabalhos de Elliot e Adelman foram fundamentais. É uma forma de experimentação em situação real na qual os pesquisadores intervém conscientemente os participantes desempenham um papel ativo. Há por parte dos pesquisadores, uma ação, problemática, que mereça investigação para ser elaborada e conduzida. Para isso deve-se definir com precisão a ação, os objetivos, obstáculos, e os agentes dessa ação. Dessa forma, os pesquisadores organizam sua ação, tendo, nesse processo, papel ativo na resolução dos problemas encontrados, no acompanhamento e na avaliação das ações. A pesquisa-ação sugere sempre a concomitância entre pesquisa e ação e ação e pesquisa. Enquanto que, na pesquisa clássica o pesquisador é um observador neutro e objetivo, na pesquisa-ação ele sai da neutralidade e passa a ser instrumento de mudança social. Outra diferença se dá em relação a coleta de dados, onde os instrumentos são interativos sendo resultado da participação coletiva ao invés, de um grupo representativo. O pesquisador leva o sujeito a tomar consciência do problema, numa ação coletiva. Desde Lewin até Elliot, afirma-se que uma importante característica da pesquisa-ação é seu processo integrador entre pesquisa, reflexão e ação, retomado continuamente sob forma de espirais cíclicas. Daí decorre outra consideração: a pesquisa-ação precisa contar com um longo tempo para a sua realização plena. Não pode ser um processo superficial, com tempo marcado. A imprevisibilidade é um componente fundamental à prática da pesquisa-ação. Considerar o imprevisível, significa estar aberto para reconstruções em processo, retomadas de princípios, recolocações das prioridades, sempre no coletivo por meio de acordos consensuais negociados pelo grupo. A pressa não funciona na pesquisa-ação o atropelamento no trato com o coletivo passa a priorizar o produto e torna mais fácil a utilização de procedimentos que irão descaracterizar a pesquisa. Esse tipo de pesquisa é recomendada quando se busca, conhecer e ao mesmo tempo intervir na realidade pesquisada.
No trabalho com a pesquisa-ação, segundo Thiollent,( 1985), há três aspectos a serem atingidos que são: resolução de problemas, tomada de consciência e a produção de conhecimento. O autor afirma que existe uma ação por parte das pessoas ou grupos envolvidos nos problemas que são objetos da observação.
De acordo com Thiollent,( 1986,p.14) "Pesquisa-ação é um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo".
De acordo com Thiollent,( 1998,p.24) " Pesquisa-ação é uma proposta metodológica e técnica que oferece subsídios para organizar a pesquisa social."
Segundo Barbier (2002,p.106) A pesquisa-ação "visa à mudança de atitudes, de práticas, de situações, de condições de produtos, de discursos."
Para Kemmis e Wilkinson a pesquisa-ação é um processo de aprendizado em que os resultados são as mudanças reais e materiais naquilo que as pessoas fazem, na sua interação com o mundo e com os outros.
RESUMINDO:
A PESQUISA-AÇÃO É UM MÉTODO DE PESQUISA COM ABORDAGEM QUALITATIVA ONDE OS INSTRUMENTOS UTILIZADOS SÃO A OBSERVAÇÃO E A PARTICIPAÇÃO DIRETA DOS ENVOLVIDOS NO PROCESSO (PESQUISADOR E PESQUISADOS).
Para quê
A pesquisa-ação oportuniza técnicas para coletar, interpretar dados, resolver problemas e organizar ações, chegando-se a elaboração dos resultados e interpretações com maior precisão.
- descobrir o significado concreto nas situações conflitivas e complexas, permitindo ver que a prática é um processo investigativo, de experimentar com as situações de forma a buscar novas e mais adequadas compreensões.
- aprender a compreender a relação dialética entre sujeito e objeto; teoria e prática.
- reconhecer e utilizar as teorias implícitas de sua prática, renová-las, adequá-las
- buscar articulações entre fins e meios educacionais.
- conviver criativamente na divergência.
- para possibilitar tanto a produção de conhecimentos novos para a área da educação, como também formar sujeitos pesquisadores, críticos e reflexivos.
- Quando queremos realizar estudo do fenômeno em seu ambiente real.
- Quando se quer aprofundar teorias a partir da prática.
b) Procedimentos
Para a eficácia desse tipo de pesquisa, é necessário definir com precisão a ação, os objetivos, os obstáculos e os agentes dessa ação.
- o método deve contemplar o exercício contínuo de espirais cíclicas; planejamento, ação, reflexão, pesquisa, ressignificação, replanejamento, ações cada vez mais ajustadas às necessidades coletivas, reflexões, e assim por diante...
- a práxis social é ponto de partida e de chegada na construção/ressignificação do conhecimento.
- a pesquisa-ação deve ser realizada no ambiente natural da realidade a ser pesquisada.
- a flexibilidade de procedimentos é fundamental e a metodologia deve permitir ajustes e encaminhar de acordo com as sínteses provisórias que vão se estabelecendo no grupo.
É preciso que o pesquisador saiba ter e construir um sentimento de parceria e colaboração. Conhecer e se interessar pela dinâmica dos grupos, no sentido da dialética de formação e dos mecanismos de reprodução do grupo, para poder trabalhar bem com pesquisa-ação.
Ajustar-se progressivamente aos acontecimentos, estabelecer uma comunicação sistemática entre seus participantes e se auto-avaliar durante todo o processo.
Alguns momentos devem ser priorizados como a dinâmica pedagógica deve produzir nos sujeitos, envolvimento, participação, comprometimento e produção de saberes e produzir também conhecimentos novos a serem incorporados no campo científico.
Momentos priorizados no processo pedagógico intermediários como:
- construção da dinâmica do coletivo
- ressignificação das espirais cíclicas
- produção de conhecimento e socialização dos saberes
- análise/redireção e avaliação das práticas
- conscientização das novas dinâmicas compreensiva.
Segundo Thiollent,( 1997,p.36) A pesquisa-ação pressupõe uma concepção de ação, que "requer, no mínimo, a definição de vários elementos, que são: um agente, um objeto pelo qual se aplica a ação, um evento ou ato, um objetivo, um ou vários meios, um campo ou domínio delimitado".
Segundo Lima, (2003, p.63) A pesquisa-ação é desenvolvida com procedimentos de observação/interação, intervenção, entrevistas, análise de documentos e história de vida, com o objetivo de "[...] criar um espaço diagnóstico de percepção cultural permanente, permitindo a investigação sem preconceitos, a discussão e o amadurecimento coletivo de possíveis soluções para os problemas detectados".
O método da pesquisa-ação inspirado em Kurt Lewin é o da espiral com suas fases de:
- planejamento
- ação
- observação e reflexão
- novo planejamento
c) Desvantagens
Existem inconscistências entre teoria e método e comprometimentos em relação a validade científica dos estudos, pois as diversas e diferentes interpretações sobre este tipo de pesquisa gerando diferentes abordagens metodológicas sem a necessária explicitação de seus fundamentos teóricos.
Por parte dos adeptos da pesquisa tradicional freqüentemente são feitas algumas objeções à pesquisa-ação.
Segundo Cohen Emanion as mais freqüentes são as seguintes:
- o objetivo da pesquisa-ação é situacional e específico, ao passo que a pesquisa científica tradicional vai além da solução de problemas práticos e específicos;
- a amostra d pesquisa-ação geralmente é restrita e não representativa;
- a pesquisa-ação tem pouco ou nenhum controle sobre variáveis independentes
Em conseqüência disso os resultados da pesquisa-ação não podem ser generalizados sendo válidos apensas no ambiente restrito em que é feito a pesquisa (relevância local).
Fontes
1- THIOLLENT, Michel . Metodologia de pesquisa-ação. São Paulo, Cortez, 1985
2- Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 31, n 3, p. 483-502, set./dez.2005-Maria Amélia Santoro Franco. Universidade Católica de Santos
4 -http://www.educaremrevista.ufpr.br/arquivos_16/irineu_engel.pdf#search=%
22pesquisa-a%C3%A7%C3%A3o%20objetivo%22
5- http://www.pedroarrupe.com.br
Comments (1)
Anonymous said
at 3:51 pm on Nov 25, 2006
Olá Alcione, Eoil, Magda, Roselene, Simone e Sônia. O trabalho de vocês apresenta uma série de dados importantes. Percebi que vocês buscaram idéias centrais nos autores citados e estas são centrais na teoria. Todavia, para que o trabalho seja mais interessante, eu gostaria de ler algo mais de cada um sobre a pesquisa-ação. Algo em torno de como cada um percebe a pesquisa-ação e aplicabilidade na sua realidade? É possível? Quais são as implicações na realização de uma pesquisa deste porte? Se vocês têm dúvidas sobre o que responder consultem o que o grupo da Anália, Eliane, Roseclér e Zilah da turma 6 realizaram sobre a mesma temática, em especial o comentário da Zilah. Um abraço especial. Marie Jane
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